terça-feira, 20 de março de 2018

MÍDIA INDEPENDENTE. QUAL O SEU REAL PAPEL? "POR MIGUEL BOENTE"




POR MIGUEL BOENTE



Ao longo de décadas, desde os tempos dos meus avós eu sempre escutava a mesma coisa as 20h. Fiquem quietos que vai começar o Jornal Nacional "Rede Globo". Durante muitos e muitos anos o mesmo jornal competia em audiência com telejornais de outras emissoras, mas a medida que vamos ficando mais velhos vamos nos perguntando sobre certas coisas. E a primeira pergunta que me fiz foi "Por qual motivo a mesma notícia é veiculada em todos os telejornais, sendo que eles poderiam estar cobrindo situações diferentes?".



Alguém pode até responder que fatos que merecem muito destaque acabam saindo em rede nacional, por ventura em todos os jornais, mas isso não me convenceu.



Passaram-se mais uns anos e com o advento da internet pude entender o que era  a mídia corporativa e a mídia independente.



Exemplo, uma estação de rádio licenciada pelo governo como a Antena 1 por exemplo é mídia corporativa, enquanto a Rádio do seu Zé padeiro que é uma estação comunitária é mídia independente "apesar de ilegal" mas por qual motivo ela é independente em relação a corporativa? Simples, em uma mídia independente os editores, apresentadores, comentaristas de programa tem a liberdade de falar o que lhe venha a mente "desde que arque com consequências judicias caso necessário". Já na mídia corporativa, seja ela Rádio, TV, Internet os mesmos apresentadores, comentaristas e editores tem uma linha editorial que lhes é transmitida por seus patrões, e é essa linha que deve ser seguida como norma da empresa para o bom funcionamento da mesma e a conservação do seu trabalho.



Pois bem, como disse anteriormente, com o advento da internet, ficou bem claro o que era a mídia corporativa e a independente. E a mídia independente ganhou muita força à nível nacional nos últimos 10 anos. Seja no surgimento de Blogs ou até mesmo em canais em plataformas como o Youtube, onde os mentores desses blogs e canais tem a liberdade "consciente, ou não" de expor suas opiniões, trazer a tona assuntos pouco explorados na mídia corporativa "pelos motivos já falados, linha editorial". Mas passamos a ter um problema de um certo tempo para cá. Vou até comparar a situação desses "donos" da mídia independente com o que acontecia com jogadores de futebol antes e depois da lei Pelé.



Muitos jogadores do passado reclamavam dos clubes de futebol, se diziam escravizados por um sistema que via apenas lucro sem se importar com o ser humano. Ou seja, se fosse lucro pra um clube um jogador ir para o Iraque em meio a uma guerra, não importava a vontade do atleta, ele tinha que ir pois era empregado do clube.



Depois da lei Pelé o jogador passou a ser DONO DE SI, ou seja, ele tinha a LIBERDADE de optar pelo que era melhor para ele. Mas os jogadores fizeram isso? De forma alguma, eles saíram de um sistema para entrar em outro. Ou seja, deixaram de ser escravos dos clubes "como alguns se denominavam" para passarem a ser escravos dos empresários. O cara pega um menino de periferia, dá uma casa pra mãe e pronto, aquele garoto tá amarrado.



Na mídia independente infelizmente isso tem acontecido do mesmo jeito, inclusive com jornalistas conceituados que no início a frente de uma dessas mídias tinha uma cara e hoje tem outra.



A opinião dos "independentes" já não é mais tão independente assim, mas sim usada como massa de manobra para os seus próprios interesses, daí a perda de credibilidade de muitos jornalistas, cronistas que deram esperança ao povo de ser sua voz na mídia, mas na verdade representam apenas seus interesses e falam apenas do que lhes é próprio. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário